A paciência dos moradores da Vila Rafael, importante comunidade da zona rural de Caruaru, chegou ao limite. Em uma contundente “Nota de Repúdio” divulgada nesta semana, o grupo Comunidade Unida pelo Direito à Água denunciou o que classifica como um “descaso desumano” por parte da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).
A Realidade do Calendário
Segundo o documento, o cronograma de racionamento imposto à localidade é impraticável: são 30 dias de torneiras secas para apenas 48 horas de abastecimento. No entanto, a denúncia atual é ainda mais grave, afirmando que a comunidade já ultrapassou a marca de um mês sem receber uma única gota d’água.
”Água é um direito básico, e a falta dela é um atentado à dignidade humana”, afirma o coletivo na nota.
O estopim para a formalização do protesto foram declarações recentes da Gerência Regional da Compesa. Segundo os moradores, a gestão teria afirmado em veículos de comunicação que a localidade “não tem problemas de abastecimento”. Para a comunidade, tal afirmação é uma tentativa de “maquiar a realidade” e silenciar o sofrimento de quem vive no campo.
A nota também levanta um debate social importante: o tratamento diferenciado. Os moradores questionam por que o centro urbano de Caruaru possui prioridade e cronogramas mais flexíveis, enquanto a zona rural é submetida ao que chamam de “abandono e preconceito”.
*O que a comunidade exige*
Para evitar medidas mais drásticas ou novas manifestações, a Comunidade Unida pelo Direito à Água estabeleceu quatro pontos imediatos de cobrança:
*Retratação Pública:* Que a gerência reconheça a gravidade real do desabastecimento na Vila Rafael.
*Ações Emergenciais:* Restabelecimento imediato do fluxo ou suporte contínuo via carros-pipa.
*Revisão do Calendário:* Elaboração de um cronograma que seja operacional e digno.
*Respeito à Zona Rural:* Igualdade de direitos em relação à zona urbana.









