A nova pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta semana traz uma informação que vai além da simples fotografia eleitoral do momento. Embora João Campos continue aparecendo numericamente à frente na disputa pelo Governo de Pernambuco, a evolução dos números ao longo do tempo revela uma dinâmica que começa a chamar a atenção de analistas políticos.
Em setembro de 2025, o socialista registrava 59% das intenções de voto, enquanto a governadora Raquel Lyra aparecia com apenas 24%. Naquele momento, a vantagem de João era confortável: 35 pontos percentuais.
Mas os levantamentos seguintes passaram a mostrar um movimento contínuo de aproximação. Em dezembro, a diferença caiu para 27 pontos. Em fevereiro de 2026, recuou para 20. Já em abril, o intervalo entre os dois principais concorrentes diminuiu para 17 pontos.
Agora, na pesquisa mais recente divulgada pela CNN, João Campos aparece com 45% das intenções de voto, contra 40% de Raquel Lyra. A distância entre ambos é de apenas cinco pontos percentuais. Considerando a margem de erro do levantamento, esse intervalo pode chegar a apenas um ponto.
O dado mais relevante, entretanto, não está no resultado isolado desta rodada, mas na tendência observada ao longo de toda a série histórica. Enquanto João Campos acumula sucessivas quedas nas medições da Real Time Big Data, Raquel Lyra registra crescimento consistente desde o início do acompanhamento.
Na prática, o que se observa é uma mudança significativa no cenário eleitoral. O que há poucos meses parecia uma disputa amplamente favorável ao ex-prefeito do Recife transformou-se em uma corrida muito mais equilibrada.
A movimentação também dialoga com o que já havia sido apontado pela mais recente pesquisa Datafolha, que indicou uma redução importante da vantagem anteriormente atribuída a João Campos. Os números sugerem que a disputa está mais aberta do que muitos imaginavam no início do processo eleitoral.
Sob a ótica da ciência política, situações como essa não são comuns. É relativamente raro observar um candidato iniciar uma pré-campanha com vantagem superior a 30 pontos e assistir, ao longo de vários levantamentos consecutivos, à redução gradual dessa distância, enquanto o adversário mantém crescimento sustentado.
Ainda é cedo para antecipar qualquer desfecho eleitoral. Mas os dados já permitem afirmar que Pernambuco vive um dos cenários mais interessantes do país neste ciclo. Caso a tendência registrada pelas pesquisas continue se confirmando nos próximos meses, a disputa entre João Campos e Raquel Lyra poderá se tornar um caso emblemático de recuperação eleitoral, daqueles que costumam ser estudados por estrategistas, marqueteiros e cientistas políticos por muitos anos.









