O ritmo de crescimento da Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou, em junho, a sua expansão mais modesta desde o início da trajetória de alta, em novembro passado, com avanço de apenas 0,1% após o desconto dos efeitos sazonais. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), embora o indicador geral tenha alcançado 105,5 pontos — renovando o maior nível ajustado desde março de 2015 (107,8 pontos) —, o avanço generalizado da confiança foi freado por uma crescente cautela em relação ao futuro do emprego. A Perspectiva Profissional teve sua segunda queda mensal consecutiva (-0,2%) e manteve a retração frente ao ano passado (-6,3%), captando os impactos de ligeiros incrementos na taxa de desocupação nos últimos três meses.
Esse recuo nas expectativas contrasta com a realidade atual do mercado de trabalho, que permanece em patamar historicamente favorável, com baixa desocupação geral e avanço nos rendimentos. O componente de Emprego Atual obteve um avanço singelo de 0,2% no mês e sustentou a variação positiva de 1,8% na comparação anual. A maior parte das famílias brasileiras (42,2%) ainda percebe um momento mais seguro para o trabalho, evidenciando que o receio está concentrado no médio prazo, e não no cenário presente.
A dinâmica relação entre o mercado de trabalho e a intenção de consumir no futuro é a chave para entender os resultados desta pesquisa, avalia o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. “O trabalhador brasileiro reconhece a força do mercado de trabalho no presente, mas a deterioração das expectativas futuras reflete um receio com as viradas de cenário no médio e longo prazo”, avalia Tadros. “Para que a confiança se consolide em consumo real e impulsione o PIB, as famílias e o setor produtivo precisam de um ambiente de mais estabilidade e previsibilidade”, completa.
A prudência com o futuro profissional, somada a um ambiente econômico de juros elevados, faz com que o Nível de Consumo Atual permaneça abaixo da linha de satisfação de 100 pontos, aos 92,8 pontos. Apesar disso, as decisões futuras tendem a ser gradualmente destravadas. A Perspectiva de Consumo para os próximos meses intensificou seu ganho mensal ao avançar 0,5% e manteve crescimento de 2,9% em relação ao ano passado. Este otimismo é amparado pela melhora de fatores essenciais, como a desinflação e a expectativa de continuação da redução da taxa Selic.
CNF









